Cirurgia plástica: 3 coisas que um cirurgião plástico não faria só porque estão na moda
Nem tudo o que vira tendência faz sentido para todo mundo.
Na cirurgia plástica, saber quando indicar um procedimento é tão importante quanto saber quando dizer não.
Vivemos em uma época em que tendências estéticas surgem e desaparecem rapidamente.
Um procedimento ganha popularidade nas redes sociais, celebridades passam a falar sobre ele,
imagens começam a aparecer com frequência e, de repente, aquilo parece ser o novo padrão de beleza.
Mas existe uma pergunta que deveria vir antes de qualquer decisão:
Isso realmente faz sentido para mim?
Como cirurgião plástico, existem algumas coisas que eu não faria simplesmente porque estão na moda.
Não porque determinados procedimentos sejam necessariamente bons ou ruins, mas porque uma cirurgia
plástica precisa partir de uma avaliação individualizada, e não de uma tendência.
1. Eu não indicaria um procedimento só porque virou tendência
O que funciona para uma pessoa pode não ser adequado para outra.
Cada paciente possui características anatômicas, proporções corporais, qualidade de pele,
histórico de saúde e expectativas diferentes. Por isso, não existe um procedimento
universalmente indicado apenas porque se tornou popular.
Uma tendência pode despertar interesse, mas
não deve substituir uma avaliação médica.
Antes de indicar qualquer cirurgia, é preciso entender o que incomoda o paciente,
quais são seus objetivos e se existe uma alternativa adequada para aquele caso.
Às vezes, a melhor indicação será um procedimento.
Em outras situações, poderá ser outro tratamento.
E também pode acontecer de a melhor decisão ser
não fazer nada naquele momento.
Essa possibilidade faz parte de uma boa consulta.
2. Eu não prometeria um resultado impossível
Uma das maiores responsabilidades de um cirurgião plástico é alinhar expectativas.
É natural que uma pessoa procure a cirurgia imaginando uma mudança.
Afinal, existe um desejo por trás daquela decisão.
Mas existe uma diferença importante entre
buscar uma melhora possível
e esperar um resultado que a anatomia do paciente não permite alcançar.
Uma cirurgia plástica não transforma o corpo em uma fotografia,
não apaga completamente a passagem do tempo e não garante que duas pessoas
terão o mesmo resultado.
Mesmo quando a técnica é adequada e o planejamento é cuidadoso,
existem características individuais que influenciam a evolução.
Por isso, uma conversa honesta antes da cirurgia é fundamental.
O paciente precisa entender:
- o que pode ser melhorado;
- quais são os limites do procedimento;
- como pode ser a recuperação;
- quais fatores podem influenciar o resultado;
- quais são os possíveis riscos e complicações.
Expectativa realista também faz parte do planejamento cirúrgico.
3. Eu não faria uma cirurgia se não acreditasse que ela faz sentido para aquela pessoa
Talvez esta seja a parte mais importante.
O paciente pode chegar ao consultório já sabendo exatamente qual procedimento deseja fazer.
Pode ter pesquisado durante meses, acompanhado resultados nas redes sociais e até chegado
com o nome da técnica escolhido.
Isso não significa que aquela seja necessariamente a melhor opção.
O papel do cirurgião plástico não é simplesmente realizar aquilo que foi solicitado.
É avaliar.
É ouvir.
É explicar.
É identificar se existe indicação.
E, quando necessário, é dizer não.
Uma cirurgia pode ser tecnicamente possível e, ainda assim,
não ser a melhor decisão para aquele paciente naquele momento.
Por isso, a consulta não deve ser encarada apenas como uma etapa antes da cirurgia.
Ela é parte fundamental do próprio tratamento.
Cirurgia plástica não deve seguir uma tendência
As tendências mudam.
O conceito de beleza também muda.
O que hoje é considerado desejável pode ser completamente diferente daqui a alguns anos.
O corpo de cada pessoa, porém, continua sendo único.
É por isso que uma cirurgia plástica bem planejada não deve ter como objetivo
simplesmente reproduzir um padrão que está em alta.
O objetivo deve ser encontrar uma proposta que faça sentido para aquele indivíduo.
Isso envolve respeitar anatomia, proporções, características pessoais,
expectativas e condições de saúde.
Mais importante do que perguntar
“qual cirurgia está na moda?”,
talvez seja perguntar:
“Qual é a melhor decisão para mim?”
Saber dizer não também é cuidar
Existe uma ideia de que um bom cirurgião é aquele que consegue fazer qualquer procedimento.
Eu acredito no contrário.
Um bom cirurgião também precisa reconhecer os limites de uma indicação.
Se determinado procedimento não for adequado, se a expectativa não for realista
ou se naquele momento a cirurgia não fizer sentido,
dizer isso ao paciente é parte da responsabilidade médica.
Porque cirurgia plástica não deve ser feita por impulso.
Deve ser resultado de uma decisão consciente, individualizada e bem planejada.
Antes de escolher uma cirurgia, escolha também um profissional que esteja disposto
a conversar com você sobre aquilo que é possível — e sobre aquilo que não é.
Perguntas frequentes sobre cirurgia plástica
Como saber se uma cirurgia plástica é indicada para mim?
A indicação depende de uma avaliação individualizada. O cirurgião deve considerar
características anatômicas, condições clínicas, objetivos e expectativas do paciente
antes de recomendar qualquer procedimento.
Devo fazer uma cirurgia plástica porque determinado procedimento está na moda?
Não necessariamente. A popularidade de um procedimento não significa que ele seja
adequado para todas as pessoas. Tendências podem servir como informação,
mas não substituem uma avaliação médica.
Um cirurgião plástico pode dizer que não recomenda uma cirurgia?
Sim. Em determinadas situações, a orientação mais responsável pode ser não realizar
o procedimento ou considerar outra alternativa. A indicação deve levar em conta
o que é seguro e adequado para cada paciente.
É possível garantir o resultado de uma cirurgia plástica?
Não. O resultado pode ser influenciado por diversos fatores individuais e pela própria
evolução de cada organismo. Por isso, uma boa avaliação deve abordar possibilidades,
limitações, recuperação, riscos e expectativas realistas.
O que devo perguntar durante uma consulta de cirurgia plástica?
É importante conversar sobre o objetivo da cirurgia, alternativas de tratamento,
benefícios esperados, limitações, riscos, recuperação e possíveis complicações.
Também é importante esclarecer todas as dúvidas antes de tomar uma decisão.
Conclusão
A cirurgia plástica pode proporcionar mudanças importantes, mas a decisão de realizar
um procedimento deve ser baseada em muito mais do que uma tendência.
Cada corpo precisa de uma avaliação individualizada.
E, muitas vezes, a experiência de um cirurgião plástico não está apenas em saber como operar.
Está também em saber quando operar, como planejar e quando dizer não.
Está considerando uma cirurgia plástica?
O primeiro passo é entender se o procedimento realmente faz sentido para você.
Agende uma avaliação e converse com o Dr. Edélcio.
Dr. Edélcio S. Shimabucoro
Cirurgião Plástico
CRM-SP 79.890 | RQE 55.563